Substituição de vit D3 pelo metabólito de origem vegetal 1,25(oh)2d3 influenciando o desempenho e qualidade óssea em frangos de corte aos 21 dias

  • O. S. Alves Mestre em Zootecnia
  • T. L. Reis Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Seropédica, RJ
  • J. E. Moraes Instituto de Zootecnia, Nova Odessa
  • C. C. Pizzolante Instituto de Zootecnia, Nova Odessa
  • L. F. L. Calixto Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Seropédica, RJ
Palavras-chave: Cálcio nas cinzas, força óssea, Solanum glaucophylum, vitamina D

Resumo

Objetivou-se avaliar a inclusão do metabólito 1,25(OH)2D3 como fonte de substituição da vitamina D3 (colecalciferol) no suplemento vitamínico das rações de frangos de corte, assim como a influência desse metabólito sobre o desempenho e qualidade óssea até os 21 dias de idade. Foram alojados 1400 pintos de corte machos, aos 7 dias de alojamento, esses foram pesados e divididos em seis tratamentos experimentais, com 6 repetições e 38 aves por repetição. Os tratamentos constituíam da manutenção da quantidade de vitamina D3 para frangos de corte em: 100%, 75%, 50%, 25% e 0%, e adição do metabolito vitamínico bioativo [1,25(OH)2D3] em quantidade fixa, mais o tratamento controle, que recebeu somente a vitamina D3 na dose recomendada como única fonte de vitamina D. Os dados foram submetidos à análise de variância usando o procedimento General Linear Models do software SAS® e, em caso de diferenças estatisticamente significativas, as médias foram comparadas pelo teste de Dunnett a 5% de probabilidade. O peso médio, o ganho de peso e o ganho de peso diário diferiram significativamente (p<0,05) do controle, pelo teste de Dunnett, somente nos tratamentos em que houve inclusão de 75% Vit D3 +1,25(OH)2D3, sendo observado melhores médias para essas variáveis. O consumo de ração foi maior (p<0,05) nos frangos que receberam 25% Vit D3+1,25(OH)2D3, quando comparado com as aves que receberam a dieta controle. Quando se incluiu o 1,25(OH)2D3 como fonte única da vitamina D3, foram observados os piores valores (p<0,05) para peso médio, ganho de peso, ganho de peso diário e consumo, não havendo diferença significativa (p>0,05) para a conversão alimentar. A morfometria óssea não foi influenciado (p>0,05) pela redução da vitamina D3 no suplemento vitamínico e nem pela utilização do 1,25(OH)2D3. O percentual de cálcio nas cinzas das tíbias nos tratamentos em que houve inclusão de 75% Vit D3+1,25(OH)2D3 foi superior (p<0,05) ao do controle pelo teste de Dunnett. A redução de vitamina D3 até o nível de 25% da exigência no suplemento vitamínico, combinados com a inclusão de 50g/t de ração de 1,25(OH)2D3, permite a manutenção do desempenho e a da qualidade óssea de frangos de corte aos 21 dias de idade. A utilização do 1,25(OH)2D3 como fonte única da vitamina D, na quantidade testada, prejudicou o desempenho zootécnico, e piorou a qualidade óssea avaliada pelo percentual de cinza e pela resistência óssea à quebra.

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Publicado
30-07-2019
Como Citar
Alves, O., Reis, T., Moraes, J., Pizzolante, C., & Calixto, L. (2019). Substituição de vit D3 pelo metabólito de origem vegetal 1,25(oh)2d3 influenciando o desempenho e qualidade óssea em frangos de corte aos 21 dias. Boletim De Indústria Animal, 76, 1-9. https://doi.org/10.17523/bia.2019.v76.e1445
Seção
PRODUÇÃO DE NÃO RUMINANTES