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24/03/2016

Medidas para conter a infecção por endoparasitas no rebanho são destacados em estudo do IZ

Infecções causadas por parasitas que se alojam nos órgãos internos de animais, nomeadas de endoparasitas, são uma ameaça à saúde dos rebanhos bovinos, pois comprometem seu desenvolvimento e desempenho produtivo. Com o intuito de proteger o rebanho, a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, por meio do Instituto de Zootecnia (IZ), elaborou um estudo orientando os produtores rurais a adotarem medidas de prevenção e diagnostico do verme.

As infecções em bovinos apresentam sintomas gastrintestinais, como diarreia, por exemplo. “Os animais que estão infectados com uma pequena carga parasitária podem apresentar uma depressão no apetite, consequentemente redução de crescimento, além de perdas de nutrientes pelas lesões que os parasitas causam na mucosa gastrintestinal”, explicou a pesquisadora da Secretaria, que atua no IZ, Luciana Morita Katiki.

“As pequenas feridas causadas pelos vermes na mucosa podem causar perdas de nutrientes e proteínas, levando ao comprometimento da resposta imunitária, diminuindo as respostas vacinais e tornando os animais mais susceptíveis às infecções”, complementou a pesquisadora da Pasta, Cecília José Veríssimo.

As especialistas ressaltaram que muitos produtores tratam as infecções parasitárias, do rebanho com vermífugos. “No entanto, o tratamento com esses medicamentos tem se apresentado por vezes ineficaz”, disse Luciana. “Nesse mesmo estudo, foram avaliados quatro medicamentos muito utilizados. “Constatamos que metade deles são ineficazes para o tratamento das verminoses”, destacou Cecília.

De acordo com a pesquisa, a resistência ao medicamente é muito comum e bastante reportado em criações de ovinos. A causa primária da ineficácia dos vermífugos é o uso indevido e indiscriminado. “Infelizmente, esse fato também está presente nos rebanhos bovinos e o prejuízo acaba sendo bem observado em animais jovens, em categorias mais susceptíveis. Conforme os animais vão se tornando adultos eles adquirem resistência natural aos vermes”, afirmou Luciana.

Para prevenir as perdas e prejuízos causados pela verminose, um bom manejo alimentar e sanitário deve ser adotado na propriedade. A separação dos animais por lotes categorizados por idade permite um controle da alimentação, do ambiente. “Sabe-se que a proteína em níveis ideais para a idade na dieta dos animais é fator importante para a construção da imunidade contra às infecções parasitárias”, destacou Cecília.

As especialistas ressaltam que para o controle das infecções, os animais devem ser avaliados periodicamente. Em caso de bezerros, o exame deve ser feito, pelo menos, a cada três meses.

“Dentro de um lote de bezerros, é preciso escolher pelo menos cinco animais que estejam com pelos arrepiados, fezes amolecidas, emagrecimento. Depois, as fezes devem ser embaladas em sacos plásticos e refrigeradas (não congeladas) e encaminhadas para o Laboratório de Parasitologia do Instituto de Zootecnia para que seja feita as análises clínicas”, disse Luciana.

O produtor poderá entregar as fezes refrigeradas e individualizadas em sacos plásticos ou luvas plásticas, identificando-as em isopor com gelo reciclável.

O tratamento do rebanho deve ocorrer se os resultados dos exames apresentar-se alterados. Os exames e a frequência dos tratamentos vão se espaçando conforme os animais vão crescendo.

“Os exames de fezes devem se tornar uma rotina na prática da fazenda devido as falhas de tratamento, que ocorrem pela resistência aos medicamentos e também, para que o produtor possa fazer o tratamento do rebanho quando é estritamente necessário. Esse tipo de controle, diminui a frequência dos tratamentos, diminui as perdas produtivas e diminui as chances de tornar o vermífugo ineficaz”, explicou Cecília.

Em relação ao controle estratégico, as pesquisadoras sugerem que seja feita a vermifugação em bezerros no desmame e fazer exame de fezes pelo menos a cada três meses até que o animal tenha um ano de idade. Conforme os animais vão crescendo, a frequência dos exames e os tratamentos vão diminuindo.

Para as vacas adultas, é preciso se atentar ao período próximo ao parto, quando a imunidade cai devido a fatores fisiológicos naturais. A escolha do vermífugo que será utilizado deve ser discutido com o técnico que acompanha o rebanho, se necessário, realizar um teste de eficácia do vermífugo, apontou o estudo.

O secretário de Agricultura e Abastecimento, Arnaldo Jardim, destacou a importância da bovinocultura na atividade do agronegócio paulista em econômica, por isso, “é preciso estar atento à sanidade animal, para que nenhuma doença comprometa os rebanhos, com reflexos negativos na renda do produtor e para os agronegócios. Essa é a orientação do governador Geraldo Alckmin para que tomemos ações preventivas, para garantir a saúde do rebanho e fomentar a produção”, disse.

O Brasil é o segundo maior produtor de carne bovina do mundo, com cerca de 1,4 mil frigoríficos e também o maior exportador mundial de carne. Em São Paulo, são 150 indústrias de grande a pequeno porte, que geram cerca de 68 mil empregos. O País ocupa o primeiro lugar mundial em volume de exportações: em 2014, embarcou 1,5 milhão/toneladas, proporcionando o ingresso de divisas de US$ 7,2 bilhões. Os frigoríficos paulistas participaram com cerca de 30% do total brasileiro: 440 mil toneladas e US$ 2,1 bilhões.

A pecuária bovina corresponde a cerca de 10% do Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP), contabilizando R$ 7,1 bilhões dos R$ 72,9 bilhões gerados na agropecuária do Estado, de acordo com dados de 2014 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O Laboratório de Parasitologia do Instituto de Zootecnia está localizado na Rua Heitor Penteado, 56, CEP 13460-000, Nova Odessa, SP. Para a remessa e o pagamento, entrar em contato antes do envio no telefone (19) 3466-9452.

 

Mais informações
Assessoria de Comunicação
Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo
(11) 5067-0069

 

 

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