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04/11/2010

Gado de corte: criadores de MG e SP vencem provas de ganho de peso de Sertãozinho

Os animais dos criadores José Augusto Franco Vilela, da Fazenda Salto e Ponte (Prata-MG), e Gabriel Cláudio de Sales, da Fazenda Novo Horizonte (Capitão Eneas-MG),  foram os melhores classificados da raça Nelore da 60ª Prova de Ganho de Peso, e na 2a Prova de Ganho de Peso-CAR, respectivamente, do Centro de Pesquisa em Bovinos de Corte do Instituto de Zootecnia (IZ-APTA) vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. O tourinho de propriedade de Franco Vilela obteve 1009 gramas de ganho de peso diário e 447,3 kg de peso final padronizado aos 378 dias. Em segundo lugar, aparece o animal do criador José Cantídio Junqueira de Almeida, cujo tourinho alcançou ganho de peso diário de 1045 gramas e peso final aos 378 dias de 415,5 kg. A terceira posição foi ocupada por garrote do IZ, com ganho de peso diário de 1071 gramas e peso final aos 378 dias de 393,0 kg.    

Em termos médios, a categoria elite da raça Nelore (14 animais ou 21,2% do total) fechou a prova em 980 gramas de ganho de peso diário e 395,9 kg de peso final padronizado aos 378 dias. Quando se incluem as categorias superior, superior mediano, regular, comum e inferior, os 66 animais Nelore, incluindo os animais do Rebanho Controle, alcançaram médias de 785 gramas de ganho de peso diário e 331,0 kg de peso final aos 378 dias. 

A tradicional prova de ganho de peso, realizada em Sertãozinho, é o principal instrumento de seleção do programa de melhoramento genético do IZ. “O desempenho dos animais da Linhagem IZ no mercado é reflexo da avaliação realizada de forma criteriosa e acurada nas provas de ganho de peso”, diz a pesquisadora Joslaine Noely dos Santos Gonçalves Cyrillo. Anualmente, uma parte dos animais “elite” são escolhidos como progenitores das futuras gerações dos rebanhos do IZ e são utilizados por dois anos consecutivos. Aqueles que apresentam bom desempenho (filhos bem classificados nas provas) são requisitados pelas centrais de inseminação que cuidam da disseminação desse material genético pelo Brasil.   

Menor consumo

A inovação da PGP deste ano foi abertura para a participação de criadores particulares na avaliação da Prova de Ganho de Peso adicionada da avaliação do Consumo Alimentar Residual (CAR). De acordo com a pesquisadora Renata Helena Branco, foram submetidos ao teste do CAR, 55 animais da raça Nelore dos quais 10 foram classificados na categoria “elite” e 12 na categoria “superior”. O animal do criador Gabriel Cláudio de Sales, da Fazenda Novo Horizonte (Capitão Eneas-MG), apresentou o melhor desempenho na categoria “Elite Nelore CAR”,  com o seu tourinho sendo bem classificado na PGP  (ganho de peso diário de 1036 gramas e peso final aos 378 dias de 463,4 kg) e também no CAR (-0,454). “Esse animal foi o campeão da prova e também foi classificado como de baixo CAR.” Os outros dois garrotes, progênie do touro Escaleno do IZ, apresentaram CAR de -0,490 e -0,297, ganho de peso diário de 1125 gramas (nos dois casos) e peso final aos 378 dias de 404,7 kg e 392,1 kg.

O objetivo da avaliação do CAR é identificar animais que apresentem o consumo alimentar residual negativo, ou seja, “aquele animal que consome menos do que o estimado para determinado ganho de peso e peso vivo metabólico” explica Renata Helena Branco. “Nós pretendemos continuar com este teste, até porque iniciamos uma linha de seleção para consumo alimentar residual, da mesma forma que temos uma linha selecionada para a característica peso padronizado aos 378 dias (P378).” 

Os animais ficam confinados em baias individuais e recebem diariamente uma quantidade pré-determinada de alimento e, no início do dia seguinte, a sobra do alimento é retirada, pesada e amostrada. No final do período de 28 dias, é feita uma amostra composta e análises bromatólogicas para verificar a composição nutricional do que realmente cada animal consumiu. “Com essa avaliação das sobras, nós sabemos o que efetivamente ele comeu: se ele comeu mais proteína ou energia; vamos saber se esse animal é mais ou menos eficiente que o seu grupo contemporâneo, em termos de transformação de menores quantidades de alimento em carne”, resume Renata.   

Os animais são avaliados e classificados de 1 a 3 (entre negativos, médios e positivos) em função do quanto eles comeram efetivamente e quanto deveriam comer. “Os melhores são aqueles que consumiram menos do que a quantidade estimada (negativos)”, observa a pesquisadora do IZ. “A característica CAR é independente do peso, ou seja, um animal muito bom em ganho de peso não necessariamente será bom em eficiência alimentar; e vice-versa.”

Santa Gertrudis, Gir, Caracu e Guzerá

Na PGP 2010, participaram ainda 20 animais da raça Santa Gertrudis; 22 animais da raça Gir; 51 animais da raça Caracu; e 42 animais da raça Guzerá.

Os quatro garrotes da categoria “elite” da raça Santa Gertrudis alcançaram média de 1301 gramas de ganho de peso diário e 447,8 kg de peso aos 378 dias. O campeão foi um garrote do criador Henricus Joseph Beckers, da Fazenda Taquari (Paranapanema-SP), com 1393 gramas de ganho de peso diário e 423,3 kg de peso final aos 378 dias. Os classificados em 2a, 3a e 4a posições são de propriedade da Fazenda Fenix (Ibaté-SP) de Lucam Agropecuária Ltda.

A categoria “elite” da raça Gir (dois garrotes) atingiu média de 661 gramas de ganho de peso diário e 312,2 kg de peso final aos 378 dias. O animal vencedor, pertencente ao IZ, teve ganho de peso diário de 661 gramas e peso final aos 378 dias de 120,6 kg.

Já a categoria “elite” da raça Caracu (cinco animais) alcançou 1080 gramas de ganho de peso diário e 409,0 kg de peso final aos 378 dias. Um garrote do IZ apresentou o melhor desempenho, com 1107 gramas de ganho de peso diário e 437,7 kg de peso final aos 378 dias. 

Por fim, a categoria “elite” (10 animais) da raça Guzerá atingiu 901 gramas de ganho de peso diário e 372,4 kg de peso final aos 378 dias.  O vencedor foi um animal do IZ, com 1036 gramas de ganho de peso diário e 380,0 kg de peso final aos 378 dias.         

 

Futuros reprodutores

Este ano, participaram da PGP 263 animais entre rebanho do IZ e criadores particulares. São “machos inteiros” (futuros reprodutores) que entram na prova com aproximadamente sete meses de idade. Esses animais permanecem na prova por um período de seis meses, durante o qual são feitas pesagens periódicas e ao final os animais são classificados. A classificação, denominada índice da prova de ganho de peso (IPGP), considera o peso ao nascer, o peso ao desmame, o peso final aos 378 dias (P378) e o ganho de peso diário durante o período da prova (IG112). “Existe uma ponderação maior para o ganho diário e menor para o peso propriamente dito porque queremos valorizar o potencial de ganho de peso desse animal, independente do peso que ele tinha no momento da chegada para a prova”, explica Joslaine.    

A PGP 2010 começou em 5 de maio e terminou em19 de outubro. Nesse período, a alimentação é padronizada, composta de feno de braquiária ou jaraguá (45%), farelo de milho (31%) e torta de algodão (21%), sal mineral e uréia (3%). Essa alimentação é igual para todos, simulando uma pastagem de “média qualidade”, pois os animais são selecionados para as condições de criação extensiva presentes na maior parte Brasil, diz Joslaine. “È importante que o tratamento seja padronizado dentro do grupo de contemporâneos (animais nascidos na mesma época, da mesma raça e mesmo sexo) para que possamos inferir que grande parte dessas diferenças seja devida ao potencial genético do animal.”

Venda de Animais

Em 6 de novembro, serão vendidos os animais que participaram da PGP de 2009. “Após a avaliação na PGP, selecionamos uma parte dos garrotes para permanência no programa. A seleção é feita com base no maior diferencial de seleção na característica P378, evitando selecionar dois ou mais meios irmãos em um mesmo ano, somando aproximadamente 10 a 15% do total. Os demais são ofertados em leilão”. Os animais classificados como “elite”, “superior” e “superior mediano” são recomendados como reprodutores e vendidos em lotes individuais, informa Joslaine. Aqueles classificados abaixo da média (“regular”, “comum” e “inferior”) não são recomendados como reprodutores melhoradores de plantel. 

O IZ venderá também touros nascidos entre 2004 e 2008. São animais que participaram das provas nos anos seguintes aos nascimentos, e muitos deles serviram como reprodutores nos rebanhos selecionados de Sertãozinho. Assim, no leilão de 6 de novembro serão ofertados animais que foram testados em prova, com progênie avaliada em PGP e com avaliação genética já disponível.

Este ano, excepcionalmente, o IZ venderá também animais participantes da PGP-2010, com idades em torno de 13 meses. “No passado, vendíamos os garrotes logo que encerrávamos a prova. Entretanto, nessa fase da vida do animal, não tínhamos como fornecer garantias do potencial reprodutivo, o que gerava algumas restrições do mercado”, explica a pesquisadora. Daí a decisão de aguardar um ano para comercializar esses animais. “Ao final desse tempo, fazíamos as avaliações pertinentes (exame andrológico) e então tínhamos as condições necessárias para vendê-los como reprodutores. Somente este ano, devido à dinâmica de reestruturação do Centro, faremos essa mudança.”
Assessoria de Comunicação da APTA
José Venâncio de Resende
(11) 5067-0424

Comunicação do IZ
Tatiana Massako Kawakami/Marketing
(19) 3466-9434

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