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22/11/2002

IZ promove dia de campo sobre Silagem de mandioca para bovinos

mandioca - produção de silagemNo dia 22 de novembro de 2002, a partir das 8h, acontece o dia de campo sobre o uso de silagem de mandioca na alimentação de bovinos, em São Pedro do Turvo (SP). O Instituto de Zootecnia (IZ), órgão de pesquisa da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), a Coordenadoria de Assitência Técnica Integral (CATI), vinculados a Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (SAA) e a Prefeitura Municipal de São Pedro estarão promovendo o evento.

No dia de campo serão apresentadas sete palestras. Será abordado as Práticas culturais da mandioca; a Evolução e produção da mandioca no Brasil; a Mandioca como alimento para bovinos suínos e custos comparativos; as Práticas e cuidados na confecção da silagem de mandioca; resultados de pesquisa com a silagem de mandioca; a Mecanização na colheita das ramas e raízes da mandioca; o Uso da farinha de mandioca em substituição a parte da farinha de trigo.

O pesquisador Edson Valvasori, coordenador do projeto, diz que o trabalho científico tem por objetivo viabilizar o uso de mandioca na alimentação de ruminantes, avaliando a planta inteira ("in natura" e silagem ). Assim poderá apresentar ao produtor informações seguras de uma alternativa alimentar nutritiva e mais barata, principalmente para a entressafra do milho. Tanto as raízes como as folhagens da mandioca podem ser utilizadas pelos animais.

A planta e seus sub-produtos apresentam muitas vantagens aos produtores rurais. Eles podem comercializar a raiz e fazer a silagem da rama ou das duas. Além de ser colhida o ano todo, é uma planta rústica que não necessita de adubação tão pesada como a produção de milho, se adapta em solos pobres, apresenta excelente aceitação pelos animais.

O pecuarista estará oferecendo uma ração de alto valor nutritivo (ramas e folhas) com até 18% de proteína bruta. O bovino de corte pode ganhar 1,200gr por dia. Já uma vaca de 500kg pode produzir 10kg de leite ao dia.

Tóxico – Uma das preocupações na utilização da planta na alimentação animal é o ácido cianídrico (HCN), mas conforme explicou o pesquisador essa substância, que em excesso pode ser fatal, some com o uso da ensilagem do material. "A fermentação da silagem elimina as propriedades do ácido e assim pode ser fornecida aos ruminantes sem riscos", salienta. O HCN não é acumulativo, sendo eliminado através da urina.

Potencial – De acordo com Valvasori, o produtor recebe por uma tonelada de mandioca brava, na indústria farinácea, varia de R$30,00 a R$50,00. Já a mandioca mansa ou de mesa ele recebe por caixa de 25 kg recebe R$4,00, R$ 16,00 para 100kg e 160 para 1 tonelada.

Numa propriedade familiar, que destina um hectare para mandioca, chega a produzir de 20 a 40 toneladas. "Essa quantidade supri as necessidades do pecuarista, em abril por exemplo, quando a silagem de milho já está no fim", completa.

A previsão para colheita é quando a planta atinge 8 meses ou um ano de idade, o importante é a quantidade de massa aérea para a silagem, sem esquecer que a comercialização da raiz vai depender das exigências do mercado consumidor. "As raízes que não forem vendidas podem ser utilizadas também na silagem", afirma Valvasori.

Consumo – uma planta de origem brasileira, cultivada pelos indígenas, se espalhou pelos diferentes continentes dos trópicos através dos colonizadores portugueses, devido ao seu grande potencial de produção de alimentos armazenáveis, associados à rusticidade e a facilidade de cultivo.

O Brasil é o segundo maior produtor de mandioca do mundo, atingindo uma produção anual de 22,5 milhões, precedido pela Nigéria que registra produção anual de 31,0 milhões de raízes.

Cerca de 70% das raízes da mandioca são utilizadas como alimento no consumo humano, 30% são utilizados como matéria prima para a indústria e outra pequena parte na alimentação animal.

A planta mandioca apresenta em média 50% de raízes e outros 50% são ramas, apenas 20% das ramas são aproveitadas para replantio. "Deduz-se que, no Brasil, cerca de 18 milhões de toneladas de rama são deixados no campo, esse produto poderia ser usado na alimentação animal, principalmente dos ruminantes", destaca o pesquisador.

Comparando a média da produção da rama de mandioca por hectare -de SP em relação a do Brasil, verifica-se que a tecnologia utilizada pelos produtores paulistas está mais avançada, beneficiando o crescimento na produção da mandioca. Em quanto o país atinge 13,75 toneladas por hectare, o Estado apresenta uma produção de 25,4 toneladas por hectare.

Esse projeto de pesquisa, coordenado pelo IZ, faz parte de um dos dez Programas do Governo Paulista: Incremento da competitividade das cadeias de proteína animal, visando o desenvolvimento do Agronegócio Paulista; Estímulo à Expansão de Agronegócios Especiais; Desenvolvimento do Agronegócio Familiar.

O curso não tem limite de vagas. É destinado a agricultores, pecuaristas, técnicos, estudantes e interessados.

Mais informações e inscrições pelos telefones: no IZ (19) 3466-9410, na Casa de Agricultura de São Pedro do Turvo, (14) 3377-1144, CATI Regional Ourinhos (14) 3326-4477.

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